Veneza, Venezia.

Romântica e encantadora, um museu ao ar livre, Veneza respira história!

Vale a pena conhecer a origem e história de Veneza e cada pedaço desta cidade.

Classificada como Património da Humanidade pela Unesco, cidade conservadora, intocável e misteriosa como a sua máscara carnavalesca, com os seus monumentos, igrejas e inúmeros museus, cada edifício é uma obra prima. Veneza esteve sempre associada a riqueza, arte, grandes artistas, cidade de Marco Polo, Tintoretto, Vivaldi…

Conheci Veneza a pé, sem mapa, descobrindo as suas ruas estreitas, recantos secretos, pátios encantados, fui vezes sem conta parar ao mesmo sitio e a becos sem saída, fascinante, toda a cidade é uma obra de arte que flutua, há romantismo em Veneza, há magia nas Gondolas e seus Gondoleiros quando cantam ao entardecer, quando gritam a buzinar em cada curva dos 118 canais, são imensas, não fiz o passeio mas apreciei-as de tantas pontes por onde subi e desci, a mais famosa em arco, a Ponte di Rialto (Ponte de Rialto) e mais antiga, a primeira a ligar as margens do Grande Canale (Grande Canal). Passeei espontaneamente em Veneza, perdi-me nos seus labirintos de lojas, teatros, cafés, mercados, bancas, estava frio quando conheci Veneza.

Comi pizza, foi a primeira coisa que fiz quando cheguei de Vaporetto, barco autocarro, à Piazza San Marco (Praça de São Marcos, patrono da cidade), famosa praça e o centro de Veneza onde podemos visitar a imponente Catedral Basílica de São Marcos, a Torre do Relógio, o Campanário entre outros. Larguei as malas no hotel e procurei uma pizzaria, há 50 mil. Hugo, o recepcionista atrevido ligou e reservou logo uma mesa. Já tarde para almoçar, sala vazia, uma italiana linda, morena de olhos azuis (stupida, baggiana!), super simpática, serviu as deliciosas pizzas. Numa mesa lá atrás, mais discreta, o dono, italiano grande parecia um poderoso chefão da máfia, a esposa sossegada, vestida com glamour e bem maquilhada, dois cães, poodles, caniches ou da família, tudo sentado à mesa a almoçar, juro!

À noite no hotel, televisão ligada, a noticia que Brad Pitt e Angelina Jolie estavam em Veneza, Angelina gravava o filme “O Turista” com Johnny Depp. – Mamma mia! O Johnny Depp está na Piazza San Marco a fumar um cigarro e ninguém me avisa para lá ir dar-lhe lume??!!

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Vista da Ponte de Rialto

Não vi a Angelina, nem o Brad, nem o Johnny, mas podia ter visto.

Numa das esplanadas num recanto mais discreto tomei um café e ali fiquei por momentos a apreciar quem passava, ouvia alguns venezianos, presumi que fossem, cumprimentavam-se uns aos outros, como vizinhos ou amigos, algumas crianças brincavam.

Perto dali, nos jardins de um museu que pretendia visitar, alguém me chama – Vieni qui! Vieni qui! – um senhor, italiano, de aspecto simples, artista desconhecido, pintava Veneza como a via, ou queria ver. Usava boina de pintor, olhar cansado, contou-me toda a história de Veneza enquanto segurava a paleta esborratada de aguarelas e pintava com as mãos envelhecidas e encardidas, falava em italiano, os olhos brilhavam a cada palavra que descrevia a cidade, única, inspiradora, mágica. Queria ter conversado mais com ele, mas ele não falava nem entendia inglês, nem português, balbuciei algumas palavras italianas e limitei-me a ouvi-lo e a tentar perceber tudo, falou-me com tristeza que Veneza já não era dos venezianos, que muitos venderam as suas casas e palacetes ou transformaram-nas em “hostels”, alojamentos baratos e se mudaram para Mestre, localidade em terra firme vizinha de Veneza, a ligação é feita pela Ponte della Libertá (Ponte da Liberdade) a única via de acesso de carro e comboio a Veneza, que o turismo em massa estava a roubar a genuinidade da cidade, a sua magia estava a desaparecer. Veneza corria o risco de se desmoronar, a sua principal riqueza, o turismo, seria também a sua ruína.

Comprei-lhe dois quadros, custavam 40€ cada, regateei por 30€, 20€, 10€, estava farta de me impingirem em cada esquina souvenirs made in China, e ele vendeu-mos por esse valor, escolhi duas gravuras, de cada vez que olho para elas na parede da sala, arrependo-me de não lhe ter dado os 80€. Voltarei um dia a Veneza, a falar italiano, quem sabe o encontro outra vez.

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Grande Canal
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Grande Canal – ao fundo Basílica de São Marcos

Este texto está escrito na primeira pessoa porque tenta retratar a forma de como eu senti esta cidade, a viagem foi realizada em Março de 2010 para comemorar o aniversário de casamento, data que por tradição celebramos sempre numa cidade diferente. Desta vez escolhemos Veneza.

Viagem: Voo Tap Air Portugal directo Lisboa/Veneza Marco Polo/Lisboa

Alojamento: Palace Hotel Bonvecchiati – San Marco

Mónica

5 comments

  1. Veneza faz parte da lista de cidades que até morrer quero visitar, mas, primeiro, será Paris…
    O mais longe que viajei para fora do nosso retângulo (guloso como chocolate se tratasse), foi, Badajoz.
    Conheço quase todo o mundo através dos meus livros, por isso mesmo mais vontade tenho de ir em pessoa percorrer as ruas, caminhos e carreiros que tenho tido a oportunidade de ver descrito nos meus maravilhosos livros.
    Enfim…

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  2. Lindo,Mónica adorei não sabia que conhecias Veneza,também faz parte da minha lista de afazeres..beijinhos e continuação de boa viagem a new york com a tua familia.

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E eu acho que...

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