ATÉ JÁ PEDROGÃO.

Já vem sendo um hábito, já faz parte do verão, gente que morre nas praias, sugado por alguma corrente e ver o pais a arder. Lembro-me desde que sou gente, de estar de férias em Agosto,  de quando em quando, passar por um qualquer écran de televisão de um qualquer café e as imagens a vermelho. O vermelho do fogo, o vermelho das fardas dos bombeiros e muitas, muitas mangueiras a jorrarem água na tentativa de conter o monstro.

E eu? Eu a banhos no Algarve ou noutro sitio qualquer, a virar a cara ao écran para não estragar as minhas férias. E, eles? Bombeiros e população? A lutarem contra o inimigo que nunca se esquece de aparecer nestes meses quentes. Apesar de ser comum, sempre estranhei todos os anos ser mais do mesmo. Mas isto tem sempre que ser assim? Não haverá volta a dar? Estamos condenados a isto? O pais tem mesmo que arder? As árvores têm todas que ser consumidas pelas chamas? O verde tem que dar lugar ao cinzento?

Este sábado, dia 17 de Junho também foi assim: eu a banhos e em festa enquanto isso pessoas, iguais a mim, iguais a todos nós a lutarem pela sua vida, a fugirem do maldito fogo. Uns ficaram na IC8, outros apanhados pelo fogo nas suas próprias casas…um terror!

O fogo de Pedrogão que ainda lavra tocou-me ainda mais. A mim e a tantos de nós, dado o número de vidas perdidas e a forma dramática como a perderam. Aquela estrada que já a baptizaram “estrada da morte” conheço-a bem. Passo lá inúmeras vezes com a minha família. O carro vai sempre cheio. Cheio daqueles que me são especiais. Esta estrada é boa, rodeada de verde, verde das árvores, árvores imponentes. Quando ali passamos temos a sensação que estamos a atravessar o pulmão do pais. Aquela estrada para mim é sinónimo de férias, de felicidade, de momentos tão bons, o meu percurso entre casa e praias fluviais fantásticas. Toda aquela zona pintada a verde, com tantos recantos escondidos, onde passam rios e afluentes, barragens, paisagens de cortar a respiração, gentes do mais alto nível que sabem acolher pessoas de fora como ninguém, festas de aldeia, de concelho, boa comida, vinho forte, etc. Daquela estrada só guardo bons momentos.

Vou voltar a passar na IC8, claro! Vai ser estranho, claro! Passar numa estrada que me levou a mim e aos meus ao rio e às praias, ao paraíso e a outros conduzi-os… ao inferno.

Até já Pedrogão!

Praia Fluvial de Fróia

Rute

E eu acho que...

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s